13 de Out de 2009

Voce decidiu tudo e não se fala mais nisso... pronto!


Na caixa de votações a sentença foi anunciada, a 4º parte do conto Bazuca será a Hipótese A
.

Terminaram as votações o resultado final é este.


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Conto Bazuca


"Ainda ouço a voz dela, maldita! Abordou-me quando passeava no topo norte do jardim das caravelas. Cigana asquerosa hipnotizou-me com uma música torpe e sombria. Disse que via o meu passado numa nobre família habituada na guerra, onde o respeito pela vida humana nada valia. Eu Filipe Donástico sofreria uma maldição que de tempos a tempos vinha à superfície e que todos os herdeiros legítimos ou ilegítimos teriam que carregar.

Replicou-me em tensão, para descobrir quem foi Claus Virinsky, é aquele com quem eu era mais parecido e único que sobreviveu mesmo que para isso tivesse que se suicidar. Avisou-me que a minha explosão pode revelar um punho que aço que mata não o que vê mas o que deseja não ver. A sociedade tolda-nos, domestica-nos, influencia-nos, nós somos manipulados em tudo e quando não o somos pelo visível, podemos sê-lo pela inacção, pelo que existe agora e que existiu em tempos anteriores. Não existe vazio, há sempre uma causa, quando não são muitas e ás vezes até existe uma fila para ver qual chega primeiro ao rastilho que faz explodir esta merda toda!"


.....


"Acho que escutei o meu marido a bater com a cabeça na parede e por incrível que pareça já nem isso me surpreende. Está num poço sem fundo, engolido por um temor que não sabe explicar. Só consigo lembrar do seu olhar enclausurado incapaz de articular um discurso racional, perdeu a esperança que eu o compreenda.

Isolado na sua dor, nem quando fazemos amor sinto que o liberto. Esconde-se em desculpas, desesperançado limita-se a reler o que sabe não ter solução."

.......


"Não bastava os dias duros de trabalho, durante a noite o meu purgatório continua. No meu quarto além da solidão ouço o grunhido de arruaça que os meus vizinhos, depois de velhos e caquécticos resolveram voltar a brincar. O pior é que aquilo é uma barulheira, talvez nem seja bem só isso.... Sinto que algo estranho se passa, dir-se-ia que é um combate de boxe que paulatinamente adormece em fagulhas de chocolate mas sinto que o calor acaba por queimar tudo, nada deve restar para que se possa saborear. Demasiado esforço e efeitos colaterais para tão poucos resultados. Dir-me-ão que sou maldoso pois para lá de uma parede e uma banda sonora incompleta a minha imaginação é que dita o resto. Não sei explicar, mas sempre soube ler bem nas entrelinhas."

......

"O meu pai endoideceu e fui por de mais idiota para não ver o que se estava a passar. Como é que não nos ocorreu que aquela história da bruxa e da maldição era mais grave do que parecia? Ele andava a tomar alucinogénios que pouco a pouco o enlouqueceram e fizeram com que perdesse o contacto com a realidade. Também não compreendemos que tudo fazia parte de uma estratégia para lhe extorquir dinheiro, a conta bancária estava a zeros.

A minha mãe estava amarrada na cama quando chegou a polícia. Vítima da sua loucura, foi escrava sexual na esperança insana de ter um herdeiro que salvasse a fantasiosa geração Virinsky da peste. Ao fim de duas semanas ininterruptas morreu de exaustão sexual; no chão tombado já não consegue ver o mal que fez."


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Resultados das diversas votações em número de votos.

1º parte: 15 votos

2º parte: 10 votos

3º parte: 6 votos

4ºparte: 7 votos

27 de Set de 2009

por onde

o líquido que bebo já não está à venda (pedem-mo, esfaimados, em gritos lancinantes).
talvez, se me estenderes a mão, te darei o ritmo da conquista... caso contrário, ficarás áspero, caído na desgraça do prato insalubre. ainda assim, tens fome... e tentas puxar-me com a urgência apressada dos mortos em terra.
brilhaste, e hoje escureces na forma indelével tragada do ser.
ama-me sem dor, que eu já nada sinto. e toda a magia é agora conspurcação de risos blasfemos que eu não quero ouvir.
ata-me a ti! e não olhes mais para trás... nem sequer em redor! que tudo o mais são fantasmas. tu não queres saber. não queres ouvir os cânticos selváticos que me consomem dia após dia.
a cadência que me injectas no braços, percorre-me as veias num rumo à deriva. e eu espero, sentada, pela hora cáustica da tua partida.
este é o momento em que me levanto, quieta, e entrego ao sacerdote a medalha de bronze que sempre guardei.
envolve-me perdido, ou deixa-me para sempre ao teu desabrigo.

25 de Set de 2009

Você vai decidir tanto, tanto, tanto, tanto...... que nem sei....mais o que hei-de dizer.... enfim.........



Na caixa de votações a sentença explodiu, a 3º parte do conto Bazuca será a Hipótese A
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Eis-nos chegados ao fim. Qual vai ser a votação para a 4º parte do conto Bazuca - (Airbags..) ?




Conto Bazuca

4º parte- Airbags


Hipótese A

O meu pai endoideceu e fui por de mais idiota para não ver o que se estava a passar. Como é que não nos ocorreu que aquela história da bruxa e da maldição era mais grave do que parecia? Ele andava a tomar alucinogénios que pouco a pouco o enlouqueceram e fizeram com que perdesse o contacto com a realidade. Também não compreendemos que tudo fazia parte de uma estratégia para lhe extorquir dinheiro, a conta bancária estava a zeros.

A minha mãe estava amarrada na cama quando chegou a polícia. Vítima da sua loucura, foi escrava sexual na esperança insana de ter um herdeiro que salvasse a fantasiosa geração Virinsky da peste. Ao fim de duas semanas ininterruptas morreu de exaustão sexual; no chão tombado já não consegue ver o mal que fez.




Hipótese B

Estou em choque. A minha família desintegrou-se e por inconsciência da minha parte, não vi a gigantesca bola de neve que descia pela encosta a baixo. A bruxa afinal nunca existiu, não passava tudo de um chorrilho de mentiras. Um mundo paralelo que inicialmente parecia um inofensivo devaneio do meu pai. Nunca nos ocorreu que ele era um subterrâneo traficante de droga prestes a ser apanhado pela polícia. A peça de teatro que criou era uma manobra de distracção para mover as últimas cartadas, pois precisava de mais tempo para a sua vida dupla de criminoso e o tempo que despendia na vida familiar e mundana atrapalhava-o.

Eu e a minha mãe fomos para a estância da minha tia. Nunca nos ocorreu que ele passaria os últimos dias da sua vida com a amante na nossa própria casa. Antes de tudo acabar quando eles entraram, suicidou-se e terminou com tudo.




Hipótese C

Nunca pensei que o meu pai fosse uma pessoa vingativa. Na sua ingenuidade pueril e nas suas imensas tontarias jamais julgamos ver um calculismo sofisticado, no entanto ele existia. Não percebemos como estava farto de tudo, como nos odiava secretamente, como desejava punir-nos e fugir impune para uma nova vida onde pudesse recomeçar. A história da bruxa foi o princípio do nosso tormento, fazia-o pelo gosto de nos torturar.

O pior foi no fim, quando vimos a cassete de vídeo. Após um longo monólogo onde destilou ódio contra nós: mãe e filha. Exibiu no fim a desprezível vingança, fez questão de exprimir que o fazia porque nós lhe tínhamos roubado a vida que sempre sonhara. Quando penso no nojo quando o vi enroscado com a minha melhor amiga naquele filme pornográfico caseiro. O maldito conseguiu, nós vamos odiá-lo para o resto das nossas vidas, ele humilhou-nos de forma miserável.





24 de Set de 2009

Revolta

(Série relatos Kafkianos II)



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Paulo Ridoneo trabalha numa pequena empresa de assessoria empresarial. A principal accionista e directora executiva gere a empresa com braço de ferro, usando métodos medievais na forma como lida com os vários empregados.


Dezenas de trabalhadores abandonaram o local de trabalho asfixiados pela demência que roça a selvajaria, é um castigo aturar tal criatura. Cristina Rivaldo nas suas conversas impõe sempre o tom imperativo, pesado e denso. Por vezes tenta alternar com um ar mais jovial para não parecer tão opressora, mas só consegue passar a imagem de algo forçado e dissimulado.


Para ela jamais um empregado deverá ter um ar afirmativo ou desafiador isso é uma afronta a sua honradez e autoridade. Provavelmente é um desertor que quer abandonar o navio por se achar muito "superior". Comando para ela é dominar o outro pessoalmente, dar ordens sem afrontas e sem desculpas.


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7 de Set de 2009

Você vai decidir tanto, tanto, tanto, tanto...... que nem sei....

Na caixa de votações a sentença ressoou, a 2º parte do conto Bazuca será a Hipótese C.


Agora a nova dúvida será : Qual vai ser a votação para a 3º parte do conto Bazuca - (Sexo à tracção ás quatro rodas..) ?




Conto Bazuca

3º parte- Sexo à tracção ás quatro rodas.


Hipótese A

Não bastava os dias duros de trabalho, durante a noite o meu purgatório continua. No meu quarto além da solidão ouço o grunhido de arruaça que os meus vizinhos, depois de velhos e caquécticos resolveram voltar a brincar. O pior é que aquilo é uma barulheira, talvez nem seja bem só isso.... Sinto que algo estranho se passa, dir-se-ia que é um combate de boxe que paulatinamente adormece em fagulhas de chocolate mas sinto que o calor acaba por queimar tudo, nada deve restar para que se possa saborear. Demasiado esforço e efeitos colaterais para tão poucos resultados. Dir-me-ão que sou maldoso pois para lá de uma parede e uma banda sonora incompleta a minha imaginação é que dita o resto. Não sei explicar, mas sempre soube ler bem nas entrelinhas.




Hipótese B

Os vizinhos de cima andam a passar-se! Durante a noite lá vem o carrossel, a montanha russa e o abanão. Esperemos que no fim provem o Corneto, Eh, Eh! As coisas antes andavam tensas, via pelos olhares deles um drama afiado que os perseguia. Agora discutem de outra maneira, é como eu digo os ideais hippies nunca perdem valor. Mas por vezes pergunto-me, será que eu ouço é mesmo o que eu penso que é? Aquilo é anormalmente enviesado, afinal eles não moram sozinhos em casa, tem a filha que mora com eles. Aquela "discoteca" tardia está muito mal enquadrada e isso ninguém percebe.



Hipótese C

Os estrondos que aqueles palermas fazem, descobriram a sagrada família às 4 da manhã? A taxa de natalidade do país está baixa, mas pedia-se um contributo mais cívico e sobretudo silencioso. Bolas! Ela já deve ter quarenta e tal e com esta idade é que se lembra de ter filhos? Recentemente tive uma conversa com ela e do que recordo da conversa, relembro sobretudo a preocupação pelo delírio do marido que poderia acabar em loucura, metia livros e bruxas e sei lá que mais. A solução dela é o sexo ?... Talvez seja esse o problema do mundo. Como resolver o problema da fome no 3º mundo? Sexo! Como resolver as guerras? Sexo! Como adormecer e dizer menos disparates? Sexo! Ahhhh!!!




Future Wild West




Análise do velho oeste se transposto para os nossos dias e os problemas que daí adviriam. Questão das armas e como os conflitos podiam facilmente deflagrar. Simples discussões podiam transformar-se em guerras fratricidas onde se perdia frequentemente o controle.



I
maginem uma sociedade onde todos tem o direito constitucional de andar armados. Onde devido à tradição é frequente andar na rua e ver pessoas com pistolas num cinto com coldre, outros trazem caçadeiras e alguns até metralhadoras. Muitíssimos carregam vários tipos de armas ao mesmo tempo e apreciam exibir as suas relíquias mortíferas. Como os actuais telemóveis interessa ter a arma mais recente e mais avançada tecnologicamente. Depois é uma constante guerra-fria, se o meu vizinho tem uma arma melhor que a minha pode ameaçar-me e ser mais bem sucedido logo eu devo responder.


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14 de Ago de 2009

Você vai decidir ainda muito mais, tanto que até doi....


* Na caixa de votações a verdade da maioria ressoou, a 1º parte do conto Bazuca será a Hipótese C.


Agora a nova dúvida será qual vai ser a votação para a 2º parte do conto- Rolamento.




Conto Bazuca

2º parte- Rolamento


Hipótese A

Oh, ando doida, não aguento mais o que se anda a passar na minha vida! O meu marido perdeu a cabeça! Tudo se está a desmoronar, parece que a loucura triunfou, desde aquele maldito dia em que ele passeou no jardim das caravelas que a doença alastra. Anda obcecado em descobrir quem foi Claus Virinsky, desde que comprou aquele livro num alfarrabista o pânico começou a instalar-se nele.

O pior é que ele não desabafa, olho nos olhos dele e vejo um temor imenso como se ele tivesse encurralado numa armadilha predestinada da qual não pode fugir. Começa a falar coisas sem o menor nexo, passa o tempo todo a andar às voltas no escritório. Sinto uma imensa tensão nele e quando lhe peço que partilhe o que o atormenta, fecha a alma e pede-me perdão pelo mal que lhe vou fazer.



Hipótese B

Cabrão de merda!! Tenho uma vontade de lhe ir aos cornos!!! Javardo!!! Faz a minha vida um inferno!!! Aquele rançoso anda louco!!! Um dia destes pego no tabuleiro do pequeno almoço e parto-o nas fuças daquele bostas!!!

Já não bastavam os meu problemas, agora fiquei com uma galinha histérica buça. Guarda o esterco com ele e não quer partilhar, deve ser coisa bonita, deve ser, deve.

Tinha idade para não ser um puto parvo, escuta as brutalidades de uma cigana demente qualquer, compra um livro de fantasia e no fim transforma-se num frustrado que não consegue completar o cubo mágico da parvoíce. Por amor de Deus, ele tem uma família para sustentar!



Hipótese C

Acho que escutei o meu marido a bater com a cabeça na parede e por incrível que pareça já nem isso me surpreende. Está num poço sem fundo, engolido por um temor que não sabe explicar. Só consigo lembrar do seu olhar enclausurado incapaz de articular um discurso racional, perdeu a esperança que eu o compreenda.

Isolado na sua dor, nem quando fazemos amor sinto que o liberto. Esconde-se em desculpas, desesperançado limita-se a reler o que sabe não ter solução.



Contenção

(Série relatos Kafkianos I)






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Tudo estava a correr mal, não encontrava o caminho que devia seguir e estava já perdido. Apesar de ter sido escrito no papel o relato dos pontos de referência no trajecto automóvel que devia seguir, o meu sentido de desorientação e a minha capacidade infinita para errar voltaram a fazer das suas. Se tivesse descoberto logo o caminho demoraria 20 minutos com esta brincadeira demorei quatro horas, gastei uma fortuna em gasolina e portagens.




Após trocar alguns telefonemas confusos por telemóvel com a minha cliente, descubro a localidade, depois de estacionar o carro avancei em direcção à oficina. O meu rosto parecia um tomate, estava com vontade urinar, com fome e tinha o corpo tenso após uma sessão intensa de adrenalina. Contenho-me como sempre faço e apressadamente bato na porta do portão.




A cliente cumprimenta-me, trocamos impressões ligeiras, não parece acreditar na minha imensa estupidez de não descobrir o percurso certo, um riso mesquinho e trocista é solto. Tem um pequeno cão que lhe faz companhia chama-se Rufa, um arraçado caniche. Muito enérgico não me larga sempre a querer subir pelas pernas, tem umas unhas muito afiadas para um cão. Agita intensamente a língua e parece frenético, acompanha-nos enquanto subimos a rampa para o 1º andar.


A oficina tem um ar desleixado, com abundantes manchas de óleo. Falta de circulação de ar. As janelas são minúsculas, a disposição dos objectos é anárquica e assumidamente preguiçosa com muitas coisas colocadas no chão, algo que não deveria acontecer.



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27 de Jun de 2009

Você vai decidir ainda mais

* Finalmente foram apurados os resultados da votação onde são definidas as características essenciais do conto. Foram 13 respostas certeiras que moldaram o destino e inscreveram a sua marca na histórica decisão final.



Tema: Um homem sente que reencarnou outra pessoa e extremamente confuso tenta investigar tal personagem.

Estilo de narração: Alternado entre várias figuras na 1º pessoa do singular.

Estilo de escrita: Estilo enigmático e inconclusivo que procura a reflexão e a confusão.

Número de linhas: 40 linhas.

Sequências narrativas: Ignição- Rolamento- Sexo à tracção ás 4 rodas- Airbags

Material proibitivo autorizado: Asneiras sem o menor refinamento cultural adequado ao contexto sociológico.

Escritor de inspiração: kafka


No entanto as massas vão deter novamente o poder para decidir. O poder regressará na força dos votos.



Conto Bazuca

1º parte- Ignição


Hipótese A

Eu Filipe Donástio estou encarcerado numa vida banal preso numa rotina familiar que me devora e que anula a minha individualidade. Como se não bastassem os meus problemas tive que acrescentar mais um, talvez não tenha sido eu mas apenas o destino que me quis arreliar.
Uma cigana quis à força ler a minha sina, recusei, mas a insistência dela venceu a minha fraca personalidade. O que ela disse deixou-me estupefacto.

-Ah! Grande Maria Sherkova Maliska Hergov-Badden de Edimburgo, podeis não o saber mas foi vossa ilustre antepassada. Os vossos olhos não enganam tem o mesmo brilho doentio de quem aguenta mas um dia rebenta. Quando explode, dissolve-se em ácido carbónico que corrói tudo e todos. Uma gana selvagem que clama por vingança.

Tentei interrompe-la dizendo que o ácido carbónico tem um grau de acidez fraco e é usado frequentemente nos refrigerantes de modo que a metáfora que ela estava a usar era inadequada. Ficou danada por aquela imprudente repreensão e ameaçou-me com um olhar despeitado, continuou pois o seu teatro fantasmagórico.





Hipótese B

Eu Filipe Donástico fui abordado certo dia num jardim por uma criatura horrenda que me atasanou e contra a qual deveria ter sido mais afirmativo. Insistente enlaçou-se em mim e despejou o seu veneno.

-Hum!... Aguentais muito não é? Mas a vossa fúria quando é libertada escapa a qualquer prognóstico, não é? Tendes sangue nobre nas vossas veias. Ezquiah, este nome é-vos certamente estranho? Os valentes nobres da Hungria que esfolavam a escumalha Otomana depressa perderam a vergonha e a conduta moral. Um corpo trespassado de um nojento não é um Homem. Do campo de combate passa-se para o ambiente familiar e se podemos matar o nosso inimigo em combate porque não o podemos fazer com aqueles que discordam connosco, a nossa mulher, amigos, netos e os burocratas impertinentes. Dizem que cada homem é uma nova tábua rasa e que nada passa do passado para nós. Cada mentira! Quer queiramos quer não, os genes estão lá.




Hipótese C


Ainda ouço a voz dela, maldita! Abordou-me quando passeava no topo norte do jardim das caravelas. Cigana asquerosa hipnotizou-me com uma música torpe e sombria. Disse que via o meu passado numa nobre família habituada na guerra, onde o respeito pela vida humana nada valia. Eu Filipe Donástico sofreria uma maldição que de tempos a tempos vinha à superfície e que todos os herdeiros legítimos ou ilegítimos teriam que carregar.

Replicou-me em tensão, para descobrir quem foi Claus Virinsky, é aquele com quem eu era mais parecido e único que sobreviveu mesmo que para isso tivesse que se suicidar. Avisou-me que a minha explosão pode revelar um punho que aço que mata não o que vê mas o que deseja não ver. A sociedade tolda-nos, domestica-nos, influencia-nos, nós somos manipulados em tudo e quando não o somos pelo visível, podemos sê-lo pela inacção, pelo que existe agora e que existiu em tempos anteriores. Não existe vazio, há sempre uma causa, quando não são muitas e ás vezes até existe uma fila para ver qual chega primeiro ao rastilho que faz explodir esta merda toda!






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16 de Jun de 2009

escrever

fico triste quando não consigo escrever mas prefiro escrever de forma espontânea porque quando escrevo sem inspiração o que crio não me parece algo que surgiu de mim mas sim do que é racional e eu confesso que odeio quando isso acontece. tento escrever mas são poucas as vezes em que o consigo realmente fazer. mas quando consigo sinto um conforto sem igual ...